Lugar de homem é na cozinha


O Big Brother está longe de ser um retrato fiel da nossa sociedade, contudo é possível detectar, por alguns comportamentos presentes em varias edições tendências na sociedade. Uma delas, pouco percebida, embora cada vez mais comum na nossa sociedade, é a presença e familiaridade de homens na cozinha.

É de conhecimento público que as mulheres ocuparam predominantemente o serviço doméstico por séculos. Isso gerou em algumas pessoas a ideia equivocada de que a mulher é, sozinha, responsável, absolutamente, pelos afazeres do lar. 




A razão pela qual as mulheres cuidavam da casa não é o machismo, A razão é econômica. O Brasil só foi rico no período do Império. De lá pra cá nos tornamos um país pobre e país pobre geralmente tem pouco emprego, os que tem são de baixa qualidade, exigindo trabalho predominantemente mecânico e são limitadas as possibilidades de progressão social. Até o inicio da década de noventa vivenciamos esse drama sob a tragédia da inflação, contudo, com o advento do plano real deu-se a estabilidade política e com ela o aumento do poder de compra das famílias. Isso posto, os pais ainda trabalhavam e as mães ainda ficavam em casa, contudo já não era mais preciso os filhos meninos abandonarem a escola para trabalhar. O salário do pai era suficiente.

Essa transição econômica é fundamental para explicar a mudança dos homens em relação ao serviço doméstico. Se antes do plano real o padrão era os meninos abandonarem a escola, o advento da nova moeda e o tripé macroeconômico garantiram que quando criança, homens hoje na faixa dos trinta anos, saíssem da escola e voltassem pra casa, onde então tinham afazeres domésticos, tal como suas irmãs. Brincavam, jogavam bola e ajudavam as mães dentro de casa. Algo impensável antes, quando o menino adolescente ainda saía pra ser camelô (vendedor ambulante) ou pra trabalhar na lavoura afim de trazer sustento pra casa.

Gradativamente, houve uma qualificação nos serviços. Aos poucos as empresas precisaram de recepcionistas, turismólogas, a força deixou de ser a única característica necessária e as mulheres puderam também ingressar com maior êxito no mercado de trabalho. É evidente que ainda existem mulheres (e são maioria) que acumulam serviço fora e dentro de casa, mas esse é um processo que tende a acabar.

Os jovens que ainda não completaram trinta anos já tem um habito diferente frente as atividades da casa. Nesse Big Brother por exemplo e nos dois últimos havia mulheres que não sabiam cozinhar e homens que sentem prazer em fazê-lo.

Já há famílias sustentadas por mulheres. Filhas sustentando o pai. E os homens vem, devido a mudanças econômicas, assumindo e dividindo as tarefas domésticas e muitos, inclusive, descobrem nesses hábitos um hobby.

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