O CRESCIMENTO DO ESTADO ISLÂMICO NA FRAQUEZA POLÍTICA DE OBAMA


Samuel Farias -
A fraqueza de Obama colabora para expansão do terror
Barack Obama venceu a eleição nos Estados Unidos prometendo retirar as tropas norte americanas do Iraque. Após um longo período de intervenção do país sob comando de George W. Bush no Oriente Médio combatendo e enfraquecendo a AlQuaeda na região e estabelecendo um governo democrático no Iraque, o Democrata Obama decidiu que a guerra era inútil, retirou as tropas e, como circo, matou Osama Bin Laden.  A decisão trouxe muitos ativos políticos ao presidente, mas também trouxe a baila no cenário geopolítico o surgimento do proto-Estado Islâmico, uma força ainda mais radical e perigosa que a AlQuaeda, e vê o país perder relevância militar e política para a Rússia de Vladimir Putin.


O proto-Estado Islâmico (proto porque não é reconhecido como um Estado) é uma organização terrorista que atualmente domina um grande e estratégico território dentro, predominantemente, do Iraque e, sem dúvida, é o grupo terrorista mais poderoso da história. Antes era ISIL, um braço da AlQuaeda, mas que ganhou autonomia com o enfraquecimento da organização responsável pelos atentados nas Torres Gêmeas em 2011. E seu líder se proclama o sucessor de Maomé. O discurso da organização é a incitação a destruição de tudo o que é ou representa o ocidente. E sua força se deu por dois fatores predominantes: a instabilidade política no Iraque e a saída dos EUA do país.

Apesar de ter se estabelecido, o governo no Iraque é muito jovem e frágil, numa região que não está acostumada com democracia e que tem tradição de golpes e muitos grupos em conflito armado. Falta unidade ao país. A decisão de Obama, simultaneamente, deixou toda a responsabilidade, prematuramente, sob esse governo frágil. Ao retirar as tropas do Iraque e abrir mão do conflito armado, os Estados Unidos da América retiraram a força que garantia o mínimo de estabilidade na região. Aproveitando-se da vacância de poder e com um discurso mais atraente, o Estado Islâmico tomou a posse das armas e equipamentos deixados pelos norte americanos e tomou o norte do Iraque e, deste modo, passou a controlar a maior parte do petróleo, o qual os terroristas negociam no mercado negro para aumentar seu poder.

Com esse poder conquistado, o ISIS tem interesses em tomar algumas regiões na Argélia, Líbia, Egito e Nigéria na África, além boa parte da Arábia Saudita e Al-Khorasan no Afeganistão. Para tanto o ISIS fez algumas parcerias e se movimenta para estabelecer-se nestes pontos, tal como o elo com o Boko Haram na Nigéria, que possui um discurso semelhante de pregação de ódio e destruição a tudo (e todos) que não seja islâmico. A fim de se precaver do avanço do Estado Islâmico, os Estados Unidos tentam a diplomacia, um exemplo é a recente aproximação com o Irã, algo que preocupa Israel, mas necessário na visão política de Obama a fim de evitar que o ISIS tenha livre acesso ao Afeganistão.

Ao observamos os passos do Estado Islâmico fica nítida direção por locais com grande produção de petróleo, como Arábia Saudita, maior produtora do mundo e a Líbia, a maior produtora da África. E isso representa um perigo para todo o ocidente, já que a expansão da organização terrorista é enorme e a sua pretensão é, no mínimo, audaciosa. Simultaneamente, o Estado Islâmico possui um poderio bélico relevante, que adquiriu no Iraque dos Norte Americanos, que se amplia graças a venda do petróleo iraquiano no mercado negro. E a própria natureza particular desse grupo terrorista, que se difere de todos os outros, por dominar cidades inteiras e possuir local fixo, mesmo que ainda mantendo as células terroristas espalhadas, representam um enorme desafio para todo o ocidente. Pois, se por um lado o Estado Islâmico representa um adversário em potencial que se fortalece, por outro lado é cada vez mais nítido que a única opção para vencê-lo é uma invasão, o que representaria reconhecer que foi um erro ter saído do Iraque de modo prematuro, reconhecer que a invasão ao Iraque era necessária, além de representar um custo altíssimo que certamente afetará a economia Norte Americana e um perigo de mais um insucesso militar numa invasão, algo que os Estados Unidos já tiveram algumas experiências.

Como, neste momento, a prioridade de Obama é manter o partido Democrata na Casa Branca, duvido que os EUA façam uma ação militar consistente contra o Estado Islâmico. O que deve continuar ocorrendo são as tratativas diplomáticas e aqueles bombardeios esporádicos que vem se revelando uma estratégia inócua.

Neste cenário, uma outra força ganha destaque, a Rússia, capitaneada por seu líder carismático o país vem aumentando sua relevância no cenário internacional enfraquecendo o governo ianque. Surge um receio de Vladmir Putin, ignorando a Casa Branca, assumir o protagonismo e tomar o Iraque do ISIS. Putin é capaz de fazê-lo e mesmo sabendo que um ataque representaria uma enorme quantidade de mortes de civis, isso não traria malefícios políticos no seu reduto eleitoral, algo que, para o Ocidente, se tiver que invadir o Iraque, contaria negativamente, pois, as baixas civis provocadas por ações de países ocidentais seria vista pela sua população com crítica e isso representaria na diminuição de votos e possível derrota eleitoral, sobretudo para os Democratas, nos Estados Unidos.

Obama, ao ver o fortalecimento russo, decidiu mudar a estratégia adotada pelos Republicanos na Síria a fim de retirar de Putin o acesso a Europa pelo mar. A Síria, tal como a Coreia do Norte e o Afeganistão faziam parte do “eixo do mal”, nas palavras do ex-presidente George W. Bush. O país é um grande aliado de Vladmir Putin e adota um discurso de anti-imperialismo, se referindo aos Estados Unidos. Contudo, apesar das diferenças, tanto Síria, quanto EUA tinham ações coordenadas. Como é por meio da Síria que armas chegam e saem do Iraque, havia um acordo entre os dois países de fazerem ações conjuntas para inibir ação de terroristas na região.

Com a eleição de Obama os EUA mudaram sua conduta e passaram a fazer vista grossa a ação de terroristas, além de ter armado os rebeldes sírios que tentam a todo custo um golpe de Estado. Desta forma, a crise na Síria cresceu de tal modo que milhares de sírios fogem do seu país a fim de se refugiar na Europa. Simultaneamente, o Estado Islâmico, aproveitando a instabilidade política surge como terceira força conquistando territórios no país e, provavelmente, infiltra terroristas entre os refugiados.


Com o atentado em Paris, certamente haverá uma resposta do Ocidente, mas, apesar da declaração do presidente francês, considero pouco provável uma invasão de fato a fim de destruir o Estado Islâmico, deve acontecer, neste momento, mais alguns ataques, no qual morrerão algumas centenas de pessoas e alguns líderes do ISIS devem ser mortos para dar satisfação política tanto na França, quanto nos Estados Unidos, mas não aposto em uma ação consistente ainda esse ano, por ser período eleitoral e traria prejuízos políticos para os democratas, contudo é provável que no próximo ano, enfim, o próximo Presidente, independente do partido que vença a eleição, coordene uma invasão ao Iraque para destruir o ISIS, mas enquanto isso tanto ISIS se fortalece, quanto a Rússia e, então, resta o tempo nos dizer se o ISIS vai se tornar tão grande que não poderá mais ser derrotado e se Vladmir Putin levará o seu país, de vez, a assumir o protagonismo pelas intervenções bélicas no mundo. Somente o tempo dirá 

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