A PERSISTÊNCIA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA SOCIEDADE BRASILEIRA

Samuel Farias - Simone de Beauvoir
A violência contra a mulher existe. Há abundância de estudos, pesquisas, relatos e reportagens que comprovam que esse mal ainda não foi extirpado da nossa sociedade. Muitas ideologias surgiram para explicar a existência desta violência e propor soluções. Dentre tantas ideologias, uma ganhou força nas últimas décadas: a ideia de que a causa seria que supostamente vivemos em uma sociedade patriarcal que oprimiria as mulheres e que somente a intervenção do Estado poderia mudar esse panorama.


Dona Ruth Cardozo, iniciou ações de governo baseados nessa ideologia, atuando, desde o primeiro mandato do PSDB, estabelecendo uma série de projetos sociais que intentavam dar protagonismo às mulheres e criar uma rede de proteção. Nos governos petistas essa rede se ampliou. Programas sociais passaram a ser direcionados exclusivamente e/ou prioritariamente para as mulheres. Nesse período foram aprovadas a lei Maria da Penha e a lei contra o suposto feminicídio, consideradas, pelos expoentes dessa visão que se destacou, fundamentais para frear a violência. Está em discussão a criação de uma lei que elege uma cota de mulheres mesmo que elas tenham quantidade de votos inferiores aos de outros candidatos homens. Movimentos feministas ganharam voz na mídia e recebem, inclusive, recursos públicos a fim de sustentar suas ações. Uma mulher assumiu a presidência da república e foi reeleita, contudo, ainda assim, a violência contra a mulher persiste.

A justificativa é que os 21 anos de implantação dessa ideologia pelo governo brasileiro ainda é tempo insuficiente para que possamos ver o fim da violência contra a mulher por meio das medidas adotadas, seria preciso ainda mais alguns anos para que esse mal fosse exterminado da nossa sociedade. Todavia as duas décadas representam tempo suficiente para vermos, ao menos, refletir nos números a tendência de mudança. Contrariando essa expectativa, a violência não apenas persiste, como os dados de diversas pesquisas nacionais demonstram que ela aumenta anualmente.

Está evidente, portanto, que as medidas adotadas e provavelmente também o diagnóstico sejam completamente equivocados. O que foi feito serviu mais para que grupos com essa ideologia chegassem e se mantivessem no poder, porém, ao invés de apontar para soluções, as ações governamentais tem contribuído para a manutenção e agravamento desse mal que atinge as mulheres e mancha toda a sociedade brasileiras. Talvez seja o momento de o governo abandonar as ideologias e agir baseado em evidências, afinal ideologias são eficazes para angariar votos, mas geralmente não resolvem problemas na realidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário