A Oposição?


Dizem, as más línguas é óbvio, que o PT tem no PSDB o principal apoio para consolidar seus objetivos de poder. E isto é, no mínimo, curioso, sobretudo, tendo em vista, que o ninho tucano é o maior interessado e aquele que seria automaticamente beneficiado em impedir a concretização desse plano.

O fato é que a oposição não se entende. Enquanto o PT tem um quadro fraco com apenas um grande nome, o PSDB possui um grande elenco, com nomes testados no legislativo e no executivo. A diferença é que Lula, o astro petista, é capaz de unificar suas bases em torno de um projeto comum, ao passo que os psdebistas travam uma guerra entre si, uma batalha pela presidência da república.

Aécio Neves sonha com novas eleições. Alckmin sabe que sua base em São Paulo é muito forte e, portanto, espera que o governo Dilma sangre até 2018 para ele ser o candidato tucano. José Serra toparia a saída da presidente, desde que Michel Temmer governasse, pois espera ser ele (Serra) o candidato, só que pelo PMDB. São três personagens da oposição, três lideranças dentro do partido, com estratégias que não  são apenas diferentes, são, sobretudo, conflitantes.

Serra corre por fora. Para ele é impreterível que o PMDB chegue, como partido, forte em 2018, mas sem outro nome viável a não ser o seu. Para tanto, trabalha auxiliando o partido no Senado e, em alguns casos, boicotando as ações do próprio PSDB. Age com certa independência e vem construindo uma base de políticos para levar consigo quando - ou se - se filiar ao partido presidido por Michel Temmer.

Aécio Neves por muito pouco não se tornou o presidente da república e, segundo as pesquisas, se a eleição fosse hoje venceria a qualquer adversário. Sabe, porém, que boa parte dos seus votos vieram por meio do apoio do governador paulista, já que em Minas Gerais, sua base eleitoral, ele perdeu. Sem novas eleições, sua popularidade tende a diminuir, mesmo que ainda o mantenha como favorito, mas a tendência é ter uma margem menor de vantagem o que daria mais chances para Geraldo Alckmin ser o candidato. Aécio está em uma encruzilhada, precisa do impeachment de Dilma, mas para tal fim precisa de Eduardo Cunha, porém a aliança com o presidente da Câmara dos Deputados enfraquece o seu discurso pela ética. É hoje o principal nome da oposição, mas também é o que tem menos chances de concorrer se a disputa por em 2018.

Alckmin tem como principal ponto a seu favor ser o governador do maior colégio eleitoral do país. Contudo tem contra si ser menos conhecido que seus "adversários" e as pesquisas que o apontam bem atrás nas intenções de voto. O governador é o favorito para ser o candidato do partido em 2018, tem uma base de apoio muito maior, a estrutura do executivo paulista e melhores meios para fazer alianças. A sua situação se inverte, no entanto, se Aécio assumir a presidência, o mineiro ganharia muita força dentro do partido e poderia indicar um outro nome de sua confiança. Ao mesmo tempo Alckmin não pode ficar muito atrás nas pesquisas de seus "adversários" e se Aécio já é cobrado por não ser tão enfático contra o PT, Alckmin que precisa manter Dilma sangrando até 2018, é ainda mais cobrado e, portanto, visto com maus olhos pela base contrária ao governo petista. Logo o tucano também é colocado em posição delicada, precisa ser mais duro no ataque ao PT e a Dilma, mas isso fortalece a estratégia do Aécio e, por isso, precisa, ao mesmo tempo, dar sustentabilidade ao governo Dilma, o que enfraquece sua posição junto ao eleitorado. Uma linha tênue entre o adequado e o sepultamento das suas chances.

Aécio é o principal adversário e por isso as mídias pró PT preferem Alckmin concorrendo em 2018. O PSDB perdeu as últimas quatro eleições, sem dúvida três delas a divisão interna no partido contribuiu decisivamente para o fracasso, certamente concorrerá ao quinto pleito, não se sabe se em 2018 como quer Alckmin e Serra, ou se antes como deseja Aécio Neves, mas enquanto essa disputa se desenrola Dilma respira. O governo passa por uma grave crise política e o PSDB é o partido que mais se beneficia dela, porém, com essa guerra interna, os Tucanos não dão o cheque mate e, nesse ínterim, o PT se mantém no poder e, por fim, se há uma coisa que a história recente deixa claro é que não se deve subestimar a capacidade de votos nem do Partido dos Trabalhadores e nem de seu líder.

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