A Estratégia de Eduardo Cunha


A mitologia grega nos brinda com a história de Midas, um rei que conseguiu do deus Baco o poder de transformar tudo que tocava em ouro. Num primeiro momento, tamanho poder, é claro, lhe trouxe grande alegria, contudo logo ele percebeu que não poderia tocar em nada e nem em ninguém e que, portanto, esse poder seria a razão da sua própria morte. Caso semelhante vive o Presidente da Câmara, o poder que lutou para conseguir está em suas mãos, mas a execução pode representar o seu fim político.


A estratégia de Eduardo Cunha era repetir o procedimento adotado pelo próprio PT contra o FHC, quando Michel Temer presidia a Câmara dos Deputados. Por este meio o processo seria mais rápido e quebraria o discurso petista de que o impeachment é projeto de vingança pessoal. Contudo, recentemente, o Supremo Tribunal Federal alterou seus planos. Com a decisão tanto de Rosa Webber, quanto de Teori, todo o poder foi concentrado nas mãos do parlamentar para deflagrar o processo de impedimento de Dilma Rousseff.

Isso seria perfeito para Cunha se, simultaneamente, o Procurador Geral da República não vazasse seletivamente informações que, no mínimo, o constrangem frente a opinião pública. E, por esta razão, aumenta a pressão política sobre o deputado e sobre os políticos que lhe dão sustentação.

Ninguém, exceto o Paulinho da Força, quer ser associado a Eduardo Cunha. Nem governo e nem oposição. E após o vazamento da sua assinatura e de seu passaporte, ficou claro o amadorismo adotado, o que gera instabilidade já que não se sabe se a assinatura é o fundo do poço.

O governo quer derrubá-lo, mas teme o poder que ele tem nas mãos. A oposição também quer vê-lo pelas costas, mas precisa dele para deflagrar o processo de impeachment. É o que mantém Cunha no poder: “ser necessário”, mas por quanto tempo se manterá assim?

A oposição quer que Cunha avance com o pedido de impedimento da Presidente da República, o deputado sabe, no entanto, que se atende a Oposição, não será mais necessário, se não avança com o processo, também não é útil a Oposição e o governo pode lima-lo. Logo resta-lhe manter os canhões apontados, mas sem atirar e recorrer ao STF para voltar a condição anterior, mas será que haverá tempo suficiente?

Nesse ínterim, Rodrigo Janot o golpeia com mais vazamentos de informações seletivas e sua derrota se precipita. Grupos pró-impeachment já encenam abandoná-lo  oficialmente e a Oposição não parece ter ainda muita paciência para esperar uma definição.  
Ainda lhe resta uma última carta na manga, fazer um sucessor na Presidência da Câmara, para, então, preservar seu mandato, ao menos. Cunha, enfim, tem todo o poder que desejou, mas é exatamente esse poder a causa da sua queda.

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