OS ERROS DEVEM SER INDIVIDUALIZADOS


O futebol olímpico, que não possui nenhum vínculo com a FIFA, é a prova de que o futebol, enquanto esporte, não pertence a instituição suíça e que qualquer pessoa ou instituição pode criar torneios a sua revelia. A FIFA tem um caso de gestão eficiente de um espetáculo esportivo que gera enorme valor sobre os concorrentes, o qual estamos tão familiarizados, que associamos o tipo de espetáculo a quem o promove.


O futebol profissional, este movido pela FIFA, é o produto esportivo mais popular do planeta. No Brasil faz parte da nossa identidade e é instrumento de unidade nacional de tal modo que temos, no geral, a sensação que ele pertence ao país e aos governos. Ledo engano, os clubes são instituições privadas, filiados a uma instituição privada (CBF), que é uma federação de outra instituição privada (FIFA) que promovem torneios privados e com regras próprias.

Constantemente, vejo pessoas pedindo fim da reeleição para presidente da CBF, vi protestos em frente a sede da CBF nesta semana e acompanho a articulação do BOM SENSO F.C. para conseguir interferência do governo na organização do futebol atualmente e isso me perturba, pois tanto CBF e FIFA não precisam nos ouvir, porque elas não nos pertencem e se, porventura, o produto futebol profissional for prejudico são eles – e quem voluntariamente investir nele – que hão de arcar com os prejuízos. Uma intervenção do governo não deveria ser, de modo algum, comemorado, ao contrário é necessário rechaçar veementemente intromissões de políticos e governos em investimentos privados, por se tratar de uma afronta absurda à liberdade de mercado, constituindo um perigo à nossa liberdade.

A CBF não é o Marin e nem a FIFA é o Blatter. Se você considera o ex-presidente da nossa confederação corrupto e não gosta do atual mandatário do futebol profissional no mundo, saiba que eles passarão. Tanto para a FIFA, quanto para a CBF, é interessante que os contratos firmados sejam feitos de modo idôneo por seus funcionários. Se algum contrato foi firmado por qualquer dirigente tendo em vista outro interesse que não o das instituições produtoras do espetáculo profissional, então não é a FIFA ou a CBF que são corruptas. Tanto FIFA, quanto a CBF são vítimas. Se alguém foi lesado, não foi nem eu e nem você caro leitor, sequer o nosso país, e sim a FIFA que tem o seu produto depreciado e, quando se configura o dano, que compete ao governo agir, não para punir a FIFA ou estatizar o seu produto e sim para defendê-la.


Ainda não sabemos exatamente quais crimes foram cometidos e nem se os acusados são, de fato, culpados, é a justiça quem irá nos dizer, contudo, se, realmente, os suspeitos forem culpados, então são eles que, por terem maculado sua conduta, devem pagar. A FIFA, a CBF e o futebol são vítimas, logo devem ser protegidos. Os erros devem ser individualizados, sob-risco de culparmos as vítimas e, no afã de vermos a justiça sendo feita, nos tornemos apenas justiceiros fazendo (in) justiça com as próprias mãos.

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