O perfil do médico brasileiro - Como é? por que é? Precisa ser assim?


O CREMESP traçou o perfil dos recém-formados em medicina em São Paulo e constatou que o perfil do médico paulistano é mulher, jovem, branca, que apenas estudou, e, cuja renda familiar menos de 3% da população brasileira tem acesso.

Não há problema algum em ricos escolherem uma profissão e nem em haver ricos, o país precisa de mais ricos e de que mais brasileiros se profissionalizem. 


O porquê de ser assim é simples. O salário do médico é alto, existe demanda por médicos, as vagas nas Universidades públicas e privadas são escassas e a concorrência por elas é alta. Então aqueles que tiveram melhores condições de estudar e possuem melhor condição de se manter, conseguem a vaga.

Para o governo o problema não é milhares de pessoas não conseguirem cursar medicina e sim o perfil dos médicos e, para acabar com isso, criou o sistema de cotas afim de garantir que negros egressos de escola pública se tornem médicos. Sim, haverá alguns poucos negros para o governo exibir como símbolo do "sucesso" na sua propaganda política para milhões de negros brasileiros que continuam sem acesso a profissão desejada. No fim não passa disso, propaganda do governo.

Não precisa ser assim. Negros, pobres e homens poderiam ter acesso ao curso sem para isso ter que impedir que uma mulher, branca e rica tenha acesso. Basta o governo não contribuir para o problema que ele finge resolver.

Ora o salário do médico é surrealmente alto porque existem poucos profissionais. Em 2013 o Ministério da Saúde estimou que o Brasil tem um déficit de 54 mil médicos e isso ocorre porque o governo dá poderes excessivos aos Conselho Federal de Medicina que atua dificultando a criação de novos cursos de medicina, fiscaliza para impedir o exercício ilegal da profissão, cria empecilhos para o médico estrangeiro no país e, como vimos na reportagem na Folha de São Paulo, aplica uma prova como requisito para que o recém-formado possa trabalhar dentro do estado e, deste modo, mantém a escassez de profissionais, o que implica num salário surreal, como explica a ciência econômica.

Se o governo brasileiro quer diversificar o perfil do médico e ampliar o acesso dos pobres e negros à profissão tem que diminuir a influência do CFM e permitir a criação de novos cursos de medicina em Universidades Públicas e Privadas, deve acabar com o REVALIDA para profissioanais estrangeiros e eliminar o poder de qualquer exame de impedir que um médico recém-formado exerça a profissão.

Deste modo, por fim, o salário dos médicos entrará na realidade de mercado, haverá mais vagas, mais médicos, menor concorrência por vaga e mais concorrência por trabalho, o que resulta numa menor procura, além de o perfil do médico brasileiro ser mais diverso garantindo, portanto, que todos tenham acesso ao exercício da profissão.

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