ATÉ LOGO IMPEACHMENT


Apesar de o recuo ter gerado constrangimento e enfraquecimento da imagem do Senador Aécio Neves junto a uma parte do seu eleitorado, o PSDB agiu corretamente em desistir - ao menos por ora - do pedido de impeachment da Presidente Dilma. O partido tinha muito mais a perder, do que a ganhar.

Dilma e o PT se desgastarão naturalmente, ainda mais, na medida em que a crise econômica e política se aprofundam. Os desdobramentos da Operação Lava Jato tendem a sangrar gradativamente o governo e a imagem do presidente Lula. Aécio é, neste cenário, beneficiado e as pesquisas já o mostram a frente do candidato petista na corrida para o Planalto em 2018.
Se conseguisse aprovar o impeachment, isto não o tornaria presidente da República. Antes criaria um clima de instabilidade política no país que não se pode saber as consequências. O PMDB, que em tese é o maior beneficiado, nunca demonstrou interesse. A disputa com o PT e com o governo parece atrair muito mais aos peemedebistas. Se houvesse logrado sucesso, o PSDB daria um discurso ao PT e faria com que o partido governista superasse suas grandes e - cada vez mais - evidentes divergências internas.
A bancada do PSDB é pequena e, embora já tenha conseguido algumas vitórias, seria pouco provável vencer. Além disto, o partido precisaria convencer Eduardo Cunha a abdicar do destaque que vem angariando com sua atuação na Câmara de Deputados de independência em relação a este governo e colocar a discussão do impeachment na pauta, algo que o próprio já declarou que não fará e ainda teria que conseguir gerar unidade dentro do próprio PSDB acerca dessa estratégia.
Soma-se ainda o comportamento dos líderes do MBL e Revoltados Online, que demonstraram não estar alinhados com o PSDB ao darem declarações fortes contra Aécio Neves, o que deu um discurso ao governo nesta semana, inclusive trazendo Dilma Rousseff a público, após se recolher dos holofotes a fim de evitar desgastes - para dizer que a ação da oposição por impeachment não tinha base real, num frame do governo para rotular o PSDB como golpista e antidemocrático.
E, embora a insatisfação popular seja grande e boa parte dos brasileiros gostaria do impedimento da nossa mandatária, tivemos apenas duas manifestações de grande porte e o que se viu foi uma diminuição significativa da adesão popular às organizações de protestos contra a Presidente da República.
O fracasso teria sido pior. O governo sairia fortalecido e a oposição enfraquecida. Contudo, o pedido de investigação contra Presidente da República, embora não seja o impeachment, contribui para pressionar mais o governo e ampliar o clima de instabilidade política. Se a insatisfação das ruas se tornar mais consistente e uníssona, novos fatos surgirem e o cenário se favorecer, nessa circunstância, então, é possível que o PSDB retorne com a vanguarda pela abertura de um processo de impeachment. É fácil concluir, por fim, que, se o partido errou ao precipitar-se pedindo abertura de impedimento da Presidente da República, acertou em recuar enquanto ainda há tempo.

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