MERITOCRACIA

A CRÍTICA À MERITOCRACIA GERALMENTE SE BASEIA EM DOIS ESPANTALHOS, o de que a ideologia da meritocracia é o entendimento que o sucesso se baseia simples e unicamente pela capacidade e de que a vivência em sociedade é uma disputa semelhante a uma corrida, na qual só há um vencedor e que todos os demais perdem.


Maquiavel, em o Príncipe, deu, despretensiosamente, a definição definitiva do que é meritocracia. Ao explicar o sucesso ou fracasso de um político em alcançar seus objetivos ele falava em "virtú" e "fortuna". Virtu é faculdade de agir de modo correto no momento certo e a ideia de fortuna em Maquiavel vem da deusa romana da sorte e representa as coisas inevitáveis que acontecem às pessoas, ou seja, é a sorte ou azar, o destino, o "nascer com o fiofó virado pra lua" ou não.
Os meritocratas acreditam na capacidade de alcançar realização pessoal e social por meio do trabalho, do esforço, da criatividade e do intelecto e o seu conceito de "mérito" pode ser associado àquilo que Maquiavel chamava de virtú.
Maquiavel, contudo, entendeu que a virtu estava subordinada a fortuna. Então é certo dizer que um menino pobre não tem as mesmas chances de vencer que um rico, mas só até aí há concordância entre os que defendem a meritocracia e aqueles que a desprezam.
Deste modo é razoável pensar que uma pessoa pobre, cujo o destino seja morrer pobre, ainda que se esforce muito, que tenha muito potencial não chegue, ela mesma, a mesma posição de uma outra que logra de enorme riqueza e certamente ficará ainda mais pobre se não se esforçar e se dedicar para construir melhores condições, assim como é razoável concluir que uma pessoa com grande riqueza, sem tantos méritos, que leve uma vida dissoluta, relapsa com a sua fortuna poderá não perder tanto a ponto de chegar a condição inicial da pessoa pobre no exemplo anterior, mas será bem menos rico do que tem potencial para ser.
Isso pode parecer cruel num primeiro olhar, todavia, e é esse o principal valor de quem defende a meritocracia, numa sociedade de mercado, altamente competitiva, as pessoas são forçadas e incentivadas a se dedicarem e a darem o melhor de si. E quando todos dão o melhor de si todos saem ganhando. O esforço de todos beneficiará à todos. Quanto mais todos se esforçam, maior o benefício criado para todos.
A virtú, o mérito, sempre estará presente. Ainda que um garoto nasça com bastante fortuna, tenha estudado nas melhores escolas, com os melhores mestres e nas melhores condições ainda assim será necessária a virtu. Ele terá que frequentar as aulas, abrir mão de algumas coisas para estar em sala de aula, terá que aprender e aplicar esse conhecimento, nada será absorvido por osmose.

Mais importante do que o fato do garoto pobre não ser rico ou tão rico quanto o outro, esta no fato de que quando esse garoto estiver doente, será atendido por um médico, graças a um modelo que incentiva haver médicos e por essa razão não é injustiça, diferentemente de uma corrida de fórmula 1 ou de uma disputa de maratona onde apenas um vence, na vida o mérito de cada um é recompensado dentro do seu destino.

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