ANALFABETISMO FUNCIONAL


Recentemente o Brasil foi apontado como um dos países que não atingiram a meta de redução do analfabetismo. Existem ainda no Brasil pessoas que não sabem ler e nem escrever uma frase inteira, mas há um mal ainda maior no nosso país, um mal silencioso, encoberto por diplomas, posição social e instituições: a incapacidade de interpretar um texto. 

Samuel Farias - Analfabetismo funcional
O analfabetismo funcional é muito pior que o analfabetismo na medida que o analfabeto diante de um texto simplesmente afirma que não sabe o que esta ali (é óbvio que não é bom não saber, mas quando a pessoa tem consciência que não sabe, geralmente se abre para descobrir o novo e assim o acesso ao conhecimento não fica inviabilizado), enquanto que o ignorante funcional crê que entendeu, quando na verdade não entendeu e a partir dessa conclusão puramente dogmática faz acusações e indagações sobre o autor e/ou o texto completamente infundadas e, como não enxerga a sua condição de agnóstico, se fecha para o conhecimento.



O filósofo alemão Max Horkheimer já dizia que a burrice é uma cicatriz e como tal não se move, da mesma forma é o pensamento de um ignorante funcional. Ele faz alegações infundadas, o sábio o refuta e apresenta novos argumentos, mas o burro, não consegue ir além, acompanhar o raciocínio, ele volta a repetir as mesmas alegações, como se o sábio simplesmente não o houvesse refutado. O filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. diz que o burro é aquele que empaca, é aquele que, segundo o brasileiro, diante de uma pequena dificuldade de raciocínio, ou ele para e desiste, ou ele vocifera contra o autor que lê (ou ouve), ou contra o problema que não resolve. O analfabetismo funcional é uma burrice e como tal é um mal.

No Brasil esse mal é endêmico. De 2001 à 2011 o número de analfabetos funcionais saltou de 61% para 75% da população, isso representa que de cada quatro brasileiros, apenas um consegue interpretar um texto adequadamente. Numa discussão qualquer entre quatro pessoas, mostrar melhores argumentos é, no geral, equivalente a vitória de Pirro, porque simplesmente, ainda que esteja com a razão, as demais pessoas não enxergarão, elas vão declarar a vitória, mesmo tendo perdido, porque de algum modo se desenvolveu nelas uma incapacidade cognitiva que destrói os neurônios e anula qualquer tipo de pensamento lógico, ainda mais se estiver envolvido algum apego emocional, sobretudo ideológico. 

Quando isso acontece o burro passa a ter "surtos psicóticos" e a ouvir frases que não foram ditas, atacar premissas que não foram postas, tenta atingir ideias que não estão sendo defendidas. Ele não só não enxerga o ponto central do debate, como também passa a bater em espantalhos criados na sua própria mente. 

O burro é um pouco louco e, como tal, tem uma visão irreal de si mesmo. Ele não enxerga a sua condição e diante de outros loucos como ele, que dizem as mesmas loucuras, e se tiver alguma formação acadêmica, supõe que é inteligente e aí que é o grande problema, porque assistir uma peça de teatro com um ignorante é tolerável, mas o duro é a pizza depois do espetáculo.

Um comentário:

  1. Há adolescentes e adultos que não entendem o que leem, que compreendem apenas palavras, mas não a frase inteira. Estudantes que passaram anos em escolas, em todos os níveis de ensino, mas saem delas sem saber ler ou escrever corretamente. :/

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