A objetização do outro sob justificativa "nobres"





Numa discussão na qual eu defendia as liberdades individuais e direitos humanos sofri uma acusação quando contestava a legitimidade que o Estado tem de decidir executar e fazer cumprir que eu pague parte do meu rendimento a ele para que ele, em troca, mesmo contra a minha vontade, assegure o meu bem-estar e o dos meus semelhantes. Disse, o grupo que me contestava, que eu só defendia a liberdade individual, a não iniciação de violência e a ilegitimidade do Estado sobre quem não o deseja porque eu estava preocupado com o meu dinheiro. No calor de tantas perguntas em série, da quantidade de coisas que eu tinha pra falar e do curto tempo acabei deixando esse ataque moral passar, mas a seguir respondo à altura e de forma racional.



E se eu realmente estivesse apenas preocupado com os meus bens, qual direito eu estaria infringindo? Acho curiosa a acusação a mim como se o meu corpo e o meu tempo, se a dor que sinto, os sacrifícios que faço e a dedicação que empreguei para conseguir os poucos bens que tenho tivessem que obrigatoriamente serem destinados a uma instituição contra a minha vontade e sem a minha permissão para ela fazer algo que não faz. É de se estranhar que os meus bens possam ser tomados contra minha vontade, mas se os bens daqueles que me acusam forem tomados contra a sua vontade, como por exemplo se roubarem seu celular, seu carro, sua empresa, sua casa e seu dinheiro eles também ficariam revoltados e iriam querer reaver seus bens. Qual deles, ao saber que uma empresa, envia todo mês uma pessoa para tirar parte do seu salário ou parte do seu dinheiro no banco sem a sua permissão ficará satisfeito? A diferença é que caso algum deles sofra um assalto ou tenha sua propriedade invadida, seja por uma pessoa, seja por uma instituição, eu irei me solidarizar com eles, exatamente porque compreendo que a propriedade é um direito natural e nenhuma pessoa tem legitimidade ética de tomar o fruto do trabalho do outro sem autorização daquele que trabalha.

Aí revela-se a verdadeira face dos meus acusadores. Ora mais preocupados que eu com o meu dinheiro são eles, afinal o deles preservam e ai de quem pegar, mas o meu deve servir aos interesses deles. O que os incomoda nas minhas ideias libertárias é que o meu suor, o meu trabalho, os meus rendimentos não sejam usados para os seus fins "nobres".

Sim, todos eles apontam justificativas nobres para embasar exploração involuntária do meu trabalho. Querem um mundo melhor, mais saúde, mais educação, salvar as baleias, os golfinhos, as formigas e para isso precisam, é óbvio, do meu suor, do meu trabalho e dos meus bens e se eu não quiser contribuir com os seus métodos voluntariamente me denigrem e tomam a força.

Fingem não perceber ou realmente são incapazes de perceber que é exatamente esse discurso sem princípios que embasa todo o tipo de exploração. Quantos países foram invadidos e conquistados sob a justificativa de que precisavam ser libertos e civilizados? Quantas pessoas foram mortas por Robespierre sob a justificativa de proteger a revolução francesa? Quantos negros (brancos também) foram escravizados sob a justificativa de que a sociedade precisava do trabalho servil? Quantos judeus foram perseguidos e mortos sob a justificativa de purificar a Alemanha? Quantas pessoas ficaram impossibilitadas de conviver com seus compatriotas alemães  e com todo o ocidente durante a URSS sob a justificativa de protegê-los do capitalismo? Quantas mulheres são estupradas sob a justificativa de que é um favor para elas já que seriam feias? Quantas homossexuais são estuprados sob a justificativa de que é necessário para que passem a se interessar pelo sexo oposto? Quantas pessoas foram expulsas de suas casas sob a justificativa do bem comum (ou bem público) no Brasil nos arredores dos estádios onde haverá jogos da Copa do Mundo 2014?

Quando um grupo ( geralmente mais forte) cria "direitos" para si sobre uma pessoa, seu corpo e sua propriedade acontece um desnivelamento ético, onde o ser humano deixa de ser um substância, um ser e se torna um objeto para uso dos interesses dessa maioria que é mais fortes.

É lindo o discurso, lindo mesmo, pena que não passe de retórica, pois na prática esses que me acusam trabalham por dinheiro, só pagam os impostos que são obrigados a pagar, não dão um centavo a mais para os necessitados que tanto julgam defender. Dizem que o Estado é mais eficiente do que o indivíduo pra gerar felicidade para todos, mas não pegam o seu dinheiro e dão para o Estado fazê-lo. Afirmam que a prioridade para eles é a educação, mas se o governo não reajustar o seu salário como eles querem a primeira coisa que fazem é entrar em greve e parar de ensinar.

Enfim quando cai a máscara criada pelo discurso demagógico percebemos que o que eles defendem é seus próprios privilégios, defendem a exploração de muitos para sustentar poucos e aí é fácil concluir o porquê que eles lutam tanto para manter a estrutura, o estado das coisas.

2 comentários:

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  2. Os socialistas são solidários só com o dinheiro dos outros, nunca com o seu dinheiro.
    São urubus, que ficam em volta do dinheiro produzido por outros, esperando o melhor momento para traga-lo.
    Você desmascarou as verdadeiras intenções deles.

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