JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS


Samuel Farias - Justiça com as próprias mãos

A questão sobre a legitimidade de se fazer justiça com as próprias mãos tem gerado uma enorme discussão nas rodas de amigos, nas redes sociais e na mídia em geral devido a grande repercussão no noticiário recente.

O brasileiro sempre sentenciou pessoas, predominantemente do sexo masculino, à morte por supostos e por reais crimes, basta uma pesquisa no Youtube e no Google e encontraremos notícias e vídeos antigos e novos de homens sendo linchadas, queimados vivos, amarrados a postes e sofrendo uma série de outras penalidades. O sentenciamento popular só tem ganho repercussão devido a ação de vingadores no Rio de Janeiro, exatamente porque aconteceu no Aterro do Flamengo, bairro nobre da cidade, foi divulgado por uma pessoa com uma certa influência e o preso era pobre, negro e menor de idade. Somente a partir deste caso que a mídia passou a dar destaque ao fato que já era comum na nossa sociedade.

ANALFABETISMO FUNCIONAL


Recentemente o Brasil foi apontado como um dos países que não atingiram a meta de redução do analfabetismo. Existem ainda no Brasil pessoas que não sabem ler e nem escrever uma frase inteira, mas há um mal ainda maior no nosso país, um mal silencioso, encoberto por diplomas, posição social e instituições: a incapacidade de interpretar um texto. 

Samuel Farias - Analfabetismo funcional
O analfabetismo funcional é muito pior que o analfabetismo na medida que o analfabeto diante de um texto simplesmente afirma que não sabe o que esta ali (é óbvio que não é bom não saber, mas quando a pessoa tem consciência que não sabe, geralmente se abre para descobrir o novo e assim o acesso ao conhecimento não fica inviabilizado), enquanto que o ignorante funcional crê que entendeu, quando na verdade não entendeu e a partir dessa conclusão puramente dogmática faz acusações e indagações sobre o autor e/ou o texto completamente infundadas e, como não enxerga a sua condição de agnóstico, se fecha para o conhecimento.


A objetização do outro sob justificativa "nobres"





Numa discussão na qual eu defendia as liberdades individuais e direitos humanos sofri uma acusação quando contestava a legitimidade que o Estado tem de decidir executar e fazer cumprir que eu pague parte do meu rendimento a ele para que ele, em troca, mesmo contra a minha vontade, assegure o meu bem-estar e o dos meus semelhantes. Disse, o grupo que me contestava, que eu só defendia a liberdade individual, a não iniciação de violência e a ilegitimidade do Estado sobre quem não o deseja porque eu estava preocupado com o meu dinheiro. No calor de tantas perguntas em série, da quantidade de coisas que eu tinha pra falar e do curto tempo acabei deixando esse ataque moral passar, mas a seguir respondo à altura e de forma racional.