A crítica vazia ao dízimo cristão e o dízimo da ATEA


Samuel Farias -
Daniel Sottomaior e o dízimo ateísta da ATEA
Rousseau infantilizou o homem. Para ele o indivíduo é bom, a culpa do que ele faz de ruim é toda da sociedade. Essa crença isenta a pessoa de tudo. Note, vendem um produto, a pessoa compra, na visão rousseana não foi a pessoa quem escolheu o produto, quem escolheu foi o marqueteiro, que de algum modo sobrenatural invadiu a mente do ouvinte e o obrigou a escolher aquele produto, mas não obrigou a todos, os seguidores do filósofo tem uma mente treinada para dizer não, só os outros, pobre coitados, que são alienados e manipulados por essa grande mídia perversa e por esse mercado malígno. Quanta pretensão.

Baseado no pensamento do francês a ATEA  vem acusando as igrejas cristãs de darem uma falsa liberdade aos cristãos no que concerne ao dízimo. O pensamento deles é que o dízimo não é uma doação, porque o religioso é manipulado a doar, baseado no medo de ir para o inferno. O pensamento é falso.


Ela considera que o religioso leva desvantagem em relação ao líder, que muitas vezes usa o recurso de forma inadequada e até imoral. 

Rousseau gerou interesseiros, pessoas que culpam os que tem sucesso pelo seu fracasso, pela sua preguiça e inapetência. Para um discípulo o dinheiro do religioso não pode ser gasto com a sua igreja ou para o bem estar do seu pastor, pode até ser tomado pelo governo através dos impostos - claro que para um fim nobre e inalcançável, tipo salvar o mundo, acabar com a fome ou garantir-lhe algum cargo público -  mas nunca dado a alguma religião. E, por esse valor desmedido pelo dinheiro alheio, ele desconsidera vantagens potenciais que um cristão tem ao pagar o dízimo. 

Me recordo de uma vez que uma prostituta dava entrevista em uma televisão e contava que haviam clientes que pagavam apenas pela companhia dela. Note como os valores são diferentes, para o cliente o dinheiro era pouco, em relação a companhia, enquanto que para a puta o interessante mesmo era o dinheiro. Isso reforça o pensamento de Aristóteles de que toda ação e toda escolha visam um bem qualquer. A igreja recebe apenas dinheiro, enquanto o religioso encontra paz, companhia e solidariedade.

É óbvio que para a ATEA a troca ainda não é justa, porque eles são gananciosos. Dizem que o dinheiro vale muito mais do que qualquer coisa que uma igreja pode proporcionar. São traídos pela própria soberba. Ora quem sabe o que é melhor para si, o outro ou o próprio? É muito mais sensato apostar naquilo que se sabe que faz bem a si do que apostar no que o outro pensa que fará bem, pois o maior interessado no bem da pessoa é a própria pessoa.

A manipulação de fato acontece, mas não só do líder espiritual em relação ao membro. Ela se dá nas relações cotidianas, quando convencemos alguém a mudar de caminho, quando vendemos um produto, quando nos vendemos. A relação humana é cheia de manipulações e elas são necessariamente positivas, porque se baseiam na troca voluntária buscando interesse próprio, o que gera o alcance do interesse mútuo. Assim como há um ônus de casar, há também o ônus de ser religioso, mas certamente só nos casamos e seguimos em determinada religião ou não, se os bônus forem maiores que os ônus. 

Todavia a ATEA também pede uma contribuição, mas claro que diz que não é igual ao dízimo cristão, porque segundo ela o seu pedido não se baseia no coerção de um inferno após a vida. Esse discurso se mostra falso quando se percebe a ameaça velada no pedido de ajuda financeira da organização.

A instituição ateísta diz no seu slogan "Junte-se a nós" e pede para que nós ateus ajudemo-na a manter suas atividades contra o "mal" cristão no Brasil, todavia quando ela se coloca como defensora dos direitos ateístas e que precisa do nosso dinheiro para continuar lutando e impedindo que os "fundamentalistas religiosos" implantem uma "teocracia" no Brasil, a instituição faz uma ameaça velada.

Note que na visão cristã se o cristão não paga o dízimo, ele vai ser condenado a viver o inferno após a morte. Já a instituição do vermelho Sottomaior diz que, quando o ateu não paga o dízimo ateista, estará condenado a viver o inferno do fundamentalismo religioso aqui na terra. 

Nas duas "cobranças", tanto a da ATEA, quanto a dos cristãos, reside o medo, mas apenas uma oferece algum bem de fato.

Samuel Farias é filósofo, brasileiro, vascaíno, apaixonado por esportes, inclusive radicais, amante de boa comida, de música e de cinema, escritor no tempo livre, questionador das banalidades e militante em prol da ética, da liberdade e de uma revolução na educação.

Um comentário:

  1. Eu sou ateu e sempre fiquei chateado com esse dizimo da ATEA mais agora estou comessando a achar normal o dizimo dos crentelhos

    ResponderExcluir