Dilma - O discurso na ONU


Certa vez em uma visita a uma comunidade muito pobre no nordeste brasileiro com a ONG que fundei conheci um menino, cujo nome vou preservar, que vivia em grave situação de vulnerabilidade social. A família não possuía as mínimas condições de prover as refeições e ele ficava dias sem se alimentar. Na ocasião ele me contou que para enganar a fome bebia água, pois quando ingeria o líquido ele ficava com a barriga cheia e tinha a sensação de que estava saciado, contudo ele precisava dos nutrientes dos alimentos.

O discurso da Dilma na Assembléia das Nações Unidas satisfez os brasileiros. Todos nós gostaríamos de dizer algumas verdades aos americanos que invadiram nossa privacidade e acessaram informações pessoais sem permissão. Quem esses americanos pensam que são? O Obama acha que é o rei do mundo? Qualquer discurso brando, vago ou menos agressivo seria tido por nós como imoral e acarretaria um enorme dano eleitoral a petista, mas ela não deu esse gostinho a oposição, afinal ser anti-americano, em período eleitoral da voto.
A presidenta entendeu e exprimiu o sentimento da nação ao falar duro e ao se direcionar diretamente ao "homem mais poderoso do mundo" de forma virulenta. Ao perceber o momento a governante brasileira falou  também sobre as conquistas de sua gestão. É evidente que isso trará frutos positivos em 2014, pois ao se sentir representada a população cria uma empatia com Dilma vendo nela a firmeza 'necessária' para nos defender moralmente no exterior, além disso favorece a estratégia de polarização, pois é impossível não compararmos a forma com que a atual presidente fala aos americanos da forma, digamos mais diplomática, com que Fernando Henrique Cardoso falava.

Apesar de toda a satisfação com o discurso nada de efetivo para o país foi resolvido. Se pensarmos de forma pragmática a única beneficiada foi a presidenta.

Ela ganhou destaque na imprensa no exterior e foi bem vista nos olhos dos brasileiros, contudo  a repercussão na mídia internacional se deu mais pela forma e o tom com que a nossa Estadista discursou do que, propriamente dito, pelo conteúdo, isso trouxe grandes benefícios a sua imagem, mas nenhum bem objetivo ao Brasil. A Folha mostrou parte da repercussão internacional que classificava as palavras como virulentas, fortes e ásperas. Apesar da agressividade, nos Estados Unidos, aquele que seria o alvo da Presidenta, o discurso teve pouca repercussão nos jornais, o Obama preferiu dedicar sua fala a situação na Síria e nenhum outro Chefe de Estado tocou no tema espionagem.

Um fator importante que o nosso país pode sair perdendo é na balança comercial. Brasil e EUA são parceiros comerciais de longa data e essa parceria é particularmente importante para nós. Os norte americanos são os principais importadores dos nossos produtos por décadas e com essa crise diplomática os negócios sofrem abalo. Espera-se que o Ministro das Relações Exteriores Luiz Alberto Figueiredo Machado fique em Nova York após a volta de Dilma para conversar com John Kerry a fim de reestruturar os laços diplomáticos e não abalar o comércio entre os países, pois se assim ocorrer nós seremos os maiores prejudicados.

As "propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet" apresentadas pelo Brasil não receberam nenhuma apoio nem dentro e nem fora e não conseguirão nada de efetivo nesse sentido para proteger nossos dados.

Não avançamos efetivamente em nada. Apesar de toda a aspereza no discurso continuamos vulneráveis a qualquer invasão do exterior. Não temos uma Defesa capaz de proteger os brasileiros de qualquer ataque cibernético. Dependemos que outro dissidente americano abra mão da sua vida, do seu emprego, da sua família e informe ao nosso governo que estamos sendo espionados, já que a presidente Dilma engavetou um projeto que já esta pronto de Política Nacional de Inteligência para nos prevenir contra a espionagem.

Assim, no fim, o discurso nos satisfez, nos deu a sensação que acabou a espionagem, mas na prática ainda padecemos do mesmo problema, continuamos precisando de uma Defesa capaz de perceber que os dados e informações dos brasileiros estão sendo invadidos e que o e-mail da Presidência da República esta sendo espionado ou então torcer por mais um super herói americano.

A barriga esta cheia, mas de água.




Samuel Farias é filósofo, brasileiro, vascaíno, apaixonado por esportes, inclusive radicais, amante de boa comida, de música e de cinema, escritor no tempo livre, questionador das banalidades e militante em prol da ética, da liberdade e de uma revolução na educação.


2 comentários:

  1. Vergonhoso discurso.Próximo presidente deve ir a ONU pedir desculpas ao mundo.E a Dilma deve ir negociar com o Estado Islãmico.Quem sabem não fazem com ela o mesmo que fizeram com o turista francês??

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